ENTREVISTA COM MARIO LEWANDOWSKI
Depois de 6 meses de "férias" o link entrevistas volta à ativa. Para a reestreia, contamos com a participação do Diretor de Marketing da AFAB, Mario Lewandowski.
*Bem vindo Mário, estamos contentes em ter aceitado nosso convite. E então, fale-nos mais sobre quem é esse camarada de sobrenome complicado.
Primeiramente, agradeço pelo convite. Sou publicitário e estudante universitário. Adoro todos os esportes, praticando desde sinuca até lacrosse. No FABR, fui presidente fundador do São Paulo Storm, presidente do Grupo Gestor do Torneio Touchdown 2009 e sou atualmente Diretor de Marketing e Representante Internacional da Associação Brasileira de Futebol Americano.
*Muitos no Brasil te conhecem desde a ápoca do São Paulo Storm, e agora você assumiu um cargo importantíssimo na maior entidade de futebol americano do Brasil, a AFAB. Fale um pouco como foi essa mudança, de sair de uma equipe de 60 jogadores em média e assumir mais de 1000 atletas pelo Brasil a fora.
Na verdade a mudança não foi muito grande. No SP Storm a equipe sempre foi um instrumento para promover o esporte. A organização do Storm possibilitou a equipe a ser o primeiro time equipado de São Paulo e uma das primeiras do país. Com isso, assumimos a responsabilidade de ajudar outras equipes, pois acreditávamos (assim como sei que a atual gestão acredita) que para as equipes crescerem o FA tinha que crescer como um todo. No Storm, cedemos equipamentos para a Seleção Paulista, para o Cidade Nova Cavaliers (de Manaus) jogar o Capital Bowl, e ministramos inúmeras clínicas e escolinhas de FA. Neste sentido, o trabalho é muito parecido, pois ambas as entidades fomentavam o esporte no país. A maior dificuldade foi conseguir enxergar o longo prazo, pois o que diferencia as entidades praticantes (equipes, academias, ect) das organizadoras (ligas, federações, AFAB) é a necessidade das organizadoras de planejarem os rumos do esporte. Para isso, minha experiência como presidente do Grupo Gestor do Torneio Touchdown 2009 foi inestimável. O que aprendi nas duas empreitadas me ajuda a entender a realidade do FA em seus vários níveis: do FA equipado ao flag, da visão dos times às dos campeonatos.
*No mês passado, você e Flávio Skin (atual presidente da AFAB) foram à Austria na reunião mundial da IFAF. Para quem não conhece, explique o que é a IFAF, e quais são as outras entidades responsáveis pelo futebol americano nos continentes e no mundo.
A IFAF é o equivalente a FIFA, do futebol da bola redonda. Hoje, há 63 federações nacionais filiadas e todos os continentes estão representados. O Futebol Americano é um esporte que cresce no mundo todo, não só no Brasil. A IFAF, junto com sua parceira, a NFL, tem trabalhado para reger o FA em todo o globo e ajudar a desenvolvê-lo em todos os países. No Congresso Mundial do FA tivemos a oportunidade de conhecer dirigentes de todos os cantos do mundo, da Nigéria à Guatemala, da Turquia à Austrália. A parte mais empolgante, porém, é que todos vêem o Brasil como a próxima grande fronteira a ser explorada.
*Ainda sobre a reunião na Austria, o que de importante e que podemos aplicar aqui no Brasil foi decidido? Como está a imagem do nosso "football" lá fora?
O Congresso em si foi muito curto, mas nos deu a oportunidade de conhecer melhor dirigentes de outros países e trocar experiências. Muitos dos países têm décadas de FA no seu histórico e ouvimos várias histórias de projetos que deram certo e outros tantos que não deram certo. Esperamos aprender com eles para não repetir alguns erros no Brasil. Em termos práticos, as grandes mudanças que ocorreram foram três. A primeira diz respeito à adequação do Futebol Americano aos requisitos olímpicos. A grande meta da IFAF é tornar o FA em esporte olímpico e para tal, votamos e aprovamos a utilização do Código de Conduta do Comitê Olímpico Internacional (COI) em todos as federações nacionais. A segunda foi a votação e aprovação da exclusividade da IFAF de organizar jogos internacionais. Com isso, nenhuma equipe ou federação poderá realizar jogos internacionais sem autorização da IFAF e sua entidade filiada em um determinado país. Por fim, foi decidido a unificação das regras de Futebol Americano no mundo. Todos os países terão de jogar de acordo com o Livro de Regras da IFAF, padronizando a prática do esporte em todo o planeta. Para o Brasil, esse foi o ponto menos relevante, pois o Livro de Regras da AFAB já contempla as regras da IFAF. Para responder sua segunda pergunta, a imagem do Brasil lá fora está muito boa. Nossos números chocaram muitos dirigentes, que se esquecem das dimensões do nosso país. Os mais de 5000 jogadores de Futebol Americano no Brasil representam mais praticantes do que muitos dos países que tem muitos anos de história no esporte. Além disso, o FA de Praia, modalidade 100% brasileira, foi reconhecido internacionalmente. Além de tudo, a AFAB conseguiu colocar o Brasil em posição de protagonista no Congresso da PAFAF, que ocorreu no dia seguinte ao Congresso da IFAF. Ficamos responsáveis por montar o Plano de Ações da América Latina, em conjunto com Argentina e Guatemala. É uma grande responsabilidade, mas também mostra a confiança que conseguimos inspirar nos gestores do FA mundial.
*Além desse encontro dos maiores dirigentes mundiais, houve também o campeonato mundial lá (na mesma data) envolvendo 8 equipes. O que achou do torneio? Acha que o Brasil jogaria de igual para igual com as equipes que participaram, ou ainda é cedo e nosso nível não está tão alto?
Infelizmente não tive tempo de assistir todos os jogos pois estava lá a trabalho, não a turismo. Perdi alguns grandes jogos me preparando para reuniões ou participando delas. Dos que consegui ver, acho que o Brasil ainda tem muito que aprender. Acho que a única equipe contra a qual teríamos boas chances seria a Austrália. É preciso lembrar que dos países que disputam a Copa, todos praticam FA há, no mínimo, 40 anos. Porém, com o crescimento que temos mostrado, não acho que é absurdo pensar em uma participação brasileira na Copa do Mundo de Futebol Americano da IFAF nas próximas duas décadas. Porém, antes de tudo precisamos reestrutura a Seleção Brasileira, como já estamos fazendo e realizar mais amistosos contra nossos vizinhos na América do Sul. Acho que o melhor termômetro para o nosso desenvolvimento técnico e qualidade de jogo será o amistoso contra o Chile, em Foz do Iguaçu, dia 21 de Janeiro, e outros jogos que possamos realizar contra Uruguai e Argentina.
*Quais são as principais metas da AFAB para o ano de 2012?
Há muito que ainda precisa ser feito no FABR, desde fomentar modalidades introdutórias, como FA de Praia, Flagbol e categorias de base, até formar árbitros, técnicos e dirigentes de FA capacitados para fazer um bom trabalho. Porém, a prioridade é desenvolver uma estrutura operacional e administrativa para a AFAB. A AFAB precisa de uma reforma no seu estatuto, um projeto de longo prazo e dos mecanismos para poder ajudar seus filiados a se consolidarem. Desde abril, quando esta gestão assumiu a diretoria da AFAB, já foram realizadas clínicas e foram criadas ferramentas para melhorar a comunicação entre dirigentes de todas as federações filiadas, aumentando o fluxo de informações que circula entre os estados. Ao passo que vamos conseguindo estas conquistas, vamos criando uma dinâmica que possibilita realizar projetos maiores, como a Seleção Brasileira, cursos online ou clínicas internacionais.
*E para os próximos 10 anos? Já estão pensando lá na frente?
A AFAB divulgou este mês o Plano de Ação AFAB 2011, que está disponível no portal AFABOnline. O plano trata das metas de curtíssimo (1 ano), curto (3 anos), médio (5 anos) e longo prazo (10 anos). Dividimos as metas em várias áreas que contemplam objetivos tanto dentro de campo, quanto nas salas de diretoria e nos campeonatos internacionais. Esse foi um dos primeiros passos desta gestão para garantir que houvesse um pensamento no futuro, para garantir um crescimento sustentável do FABR nos próximos anos. O curto prazo e o FA competitivo está sendo desenvolvido com maestria por equipes como o Tritões, que mobilizam toda população das suas cidades e regiões e difundem a bola oval. Os públicos no campo Tupy e em outros estádios Brasil a fora comprovam que as equipes estão comprometidas com o desenvolvimento do esporte. Agora, cabe a AFAB pensar no longo prazo. O Futebol Americano se desenvolveu muito nos últimos anos, mas só com planejamento que conseguiremos manter o crescimento e evitar bolhas. Esperamos que o Plano de Ação AFAB 2011 seja o primeira passo para manter os olhos dos dirigentes de FABR com o “olho na bola”. Acredito que este será o nosso grande legado e um dos diferenciais para as empresas que esperam investir em FA.
*Para finalizar, dê sua opinião como espectador: quais são as equipes favoritas para ganharem o Torneio Touchdown e a LBFA esse ano?
Sempre acreditei que para montar um bom time de Futebol Americano é necessário dedicação e muito treino. Com isso, acho que as equipes que não jogam campeonatos estaduais tem vantagem por terem mais tempo para treinarem e menos riscos de lesão. Porém, não é só o futebol que é uma caixinha de surpresas e tudo pode acontecer nestes campeonatos. O nível técnico está aumentando a cada jogo e todas as equipes que tem estrutura para participar destes campeonatos tem chances de levantar a taça no final do ano!
*Muito obrigado pela entrevista Mario! Nós do Vila Velha Tritões estamos torcendo por essa nova gestão da AFAB!
Mario Lewandowski - Diretor de Marketing e Representante Internacional da Associação Brasileira de Futebol Americano.




